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Logo após a Segunda Guerra Mundial, ainda durante a ocupação do Japão pelos aliados,
os espectadores de um torneio levado à público pelos japoneses no Sanno Hotel de Tóquio
presenciaram uma cena que nunca mais esqueceriam.
Terminado o último combate, dois homens passaram a discutir em pleno tablado: um japonês magro
e alto que estava enfurecido, e um coreano rijo e troncudo, que não demonstrava maiores
preocupações. De repente, o japonês saca um punhal oculto por trás de seu cinturão e rasga
vivamente o ar em direção ao coreano. Num milésimo de segundo o braço do atacante é interceptado
e um poderosíssimo soco reverso esmaga-lhe o rosto. Ouve-se um ruído de ossos quebrados e o
agressor está no chão, agora salpicado por gotas de sangue. O homem estava morto, esfacelado por
um único golpe!
Este episódio constituiu-se no ponto decisivo na carreira marcial de um jovem, então com 24 anos,
que mais tarde adotaria o nome de Masutatsu (Mas) Oyama e que se tornaria mundialmente famoso.
Mas Oyama seguiu meteórica e tumultuada carreira nas artes de combate. Criança ainda, aprendia
Chabee (uma combinação coreana de Jujitsu e Kempo) na escola que frequentava. Dos 9 aos 13 anos
passou a praticar diariamente tanto o Chabee quanto o Boxe Shaolim. Em 1937, por ocasião da
guerra entre Japão e China começou a estudar Karatê Shotokan, persistindo nesse estilo por dois
anos. Não satisfeito matriculou-se na Takushuko University para aperfeiçoar seu Karatê, treinando
por mais dois anos no distrito de Maijiro, Tóquio, onde Gichin Funakoshi ensinava.
Aos 18 anos, Oyama entrava para o Exército Imperial e juntava-se à Butokukai - organização
governamental que compreendia todas as principais artes marciais. Tornou-se então um membro da
Kokai, especializando-se em táticas de espionagem.
Oyama veio a ser aluno de Cho Yung Ju e de Tenshichiro Ozawa, com quem submeteu-se a um
"treinamento mental". Foi quando decidiu levar uma vida solitária nas montanhas, praticando
Karatê 7 horas por dia, aperfeiçoando suas técnicas e culminando na criação de um estilo que
veio a chamar formalmente de Kyokushinkai em 1961.
Isolado no Monte Kiyosumi, distrito de Chiba, a fim de descobrir e adestrar suas verdadeiras
faculdades, Oyama treinava incessantemente, sob sol, chuva, neve. Fizesse tempo que fizesse,
Oyama treinava inabalavelmente.
Seu treino começava bem cedo, com uma profunda meditação embaixo de gélidas torrentes de água.
Em seguida, treinava seu físico, subindo e descendo barrancos, carregando e lançando à distância
troncos de árvores e rochas pesadas. A parte da manhã era assim dedicada ao aperfeiçoamento de
sua condição cardiorrespiratória e muscular.
Já a tarde era dedicada à prática do Karate propriamente dito, onde Oyama treinava Kihon, Ido
Gueiko, Kata e calejamento. "Eu havia instalado makiwaras nas árvores, e socava-as até que o
estado de minhas mãos me impedisse de continuar" Oyama, M. , What is Karate.O treino terminava
com nova sessão de meditação sob a cachoeira.
À noite, Oyama entrava em profunda meditação, observando dois círculos que ele havia pregado na
parede de sua humilde morada. Um círculo, preenchido, simbolizava Sei (Ação), e outro, vazio,
simbolizava Do (Inatividade). Observando-os, Oyama superava a profunda solidão das trevas
noturnas, que tragava todo o Monte Kiyosumi.
Tal treinamento durou 1 ano e meio. Por muitas vezes Oyama pensou em desistir, mas quando
isso lhe ocorria, raspava uma das sobrancelhas. Tal costume era provindo dos voluntários ao
exílio, os quais diziam que tal ato espantava maus espíritos. Porém, Oyama, ao fazê-lo,
descobriu que, em verdade, tal ato espanta a idéia de voltar à civilização devido à feiura que
ele proporciona.
Ao retornar do treinamento, Oyama participou do campeonato Japonês de Karate Do, sagrando-se
campeão. Porém, Oyama refutou o título, dizendo que seus adversários não eram verdadeiros
karatecas, pois só simulavam os golpes. Oyama não aceitava a idéia de o Karate limitar-se a
simples movimentos inacabados. "Como pode ser chamado de Karate uma espécie de dança?(...)Não
suportei a rigorosidade do Goju (de segurar os golpes) (...) Só pode ser chamado de Karateca
aquele que sobrepujar o verdadeiro perigo" Oyama, M., Lá Legendé du Karaté.
Em 1953, Oyama fundou o Karate Oyama, sendo posteriormente chamado de Karate
Kyokushinkai. Sosai Oyama viajou por todo o mundo para propagar seu estilo de luta, enfrentando
diversos lutadores, realizando feitos inacreditáveis, como lutar contra cem adversários por três
dias consecutivos, lutar contra touros (lutou com 53 touros, matando três deles e arrancando
chifres de outros 49). Oyama detém, até hoje, o recorde de tameshiwari (quebramento), pois
quebrou 30 telhas japonesas com um único golpe.
Oyama faleceu em 1994, vítima de câncer no pulmão. Deixou ao mundo um dos maiores e mais fortes estilos de Karate
que existe. Tão forte que, mesmo com 5 sub-divisões oficiais em nível mundial, toda IKO é imensa. Infelizmente
o estilo por ele deixado perdeu forças ao se dividir. Certamente, a vontade do Mestre seria ver uma só imensa
Kyokushin, praticada no mundo inteiro. Dessa forma, o Kanku Kyokushin seria honrado: Todos, com suas
diferenças, unidos por um único ideal. Quem sabe um dia possamos contemplar tal feito. A UFKK é parte
integrante do Movimento de Unificação do Karate Kyokushin no mundo.
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